segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Speed the Collapse

Metric em 
Synthetica (2012)

Sentou na cadeira de madeira na sala cinzenta na madrugada fria de julho, em sua frente havia um homem barrigudo e atrás uma mesa pequena com um jovem digitando em um computador. Era um cômodo médio, cabiam poucas coisas, a mesa, o barrigudo, ela (com seus cabelos longos loiros), e o jovem sentado. Não tinha reparado quando entrou, mas só existia uma porta e nenhuma janela.
- A senhora conhecia a vítima há quanto tempo?
Respirou fundo, lembrou do menino esquisito do jardim de infância e começou:
- Nós saímos algumas vezes – outra mulher, aparentemente mais velha e bem vestida – Na verdade acho que foram só duas, ou três. Ele era muito novo para alguém como eu, o senhor sabe quando bate a crise de idade? Eu precisava de alguém mais novo...
- Quanto tempo senhora Blanc? –indagou o barrigudo coçando a barba do pescoço.
- Dois meses. Comprei uma de suas artes, em uma exposição, eu acho que nos conhecemos assim.
- O senhor tem absoluta certeza que ninguém vai saber? – desta vez é um homem, de cabelos negros, pele branca, olhos castanhos e alto, com 40 e poucos anos, perguntava com o olhar assustado.
- Depende, se o senhor tiver alguma culpa no crime...
- Nós meio que... namorávamos...
- Há quanto tempo vocês se conheciam?
- Muito tempo, eu acho. Ele era jovem né? Não sei se ele pensa, pensava, assim, mas  foram três longos anos, veio meu divórcio, o livro dele, foi conturbado...Mas acho que para ele não deve ter sido nada, me ligava pouco, eu que corria atrás...Você sabe, ele é, era, jovem...Acho que pensava que era imortal, ou alguma coisa parecida. – tremia e tentava colocar os dedos na mesa fria a sua frente.
- Não, eu não conheci o senhor Orvieto. – a primeira garota, dos cabelos longos loiros – Se pegaram algumas vezes, um affair, você sabe, ele era perdidamente apaixonado pelo Lucas.
- Como você sabe? Disse que nunca o conheceu? – desta vez ele bebia uma caneca de café, era outro dia e o humor não melhorara.
- Lucas era meu melhor amigo, me acompanhou desde o início da carreira, foi em todos os meus primeiros ensaios fotográficos para me apoiar. Ele uma vez mencionou que o Sr. Orvieto não parava de ligar para ele, e mandar cartões. Era um chato. Posso fumar aqui dentro?
- Ah sim, a melhor amiga atriz pornô, eu a conheci em uma festa, claro, sempre as festas do Lucas Bosner. Eram famosas na Paulista, sabe? Todo mundo comentava disso. Ela chegou a atender um dos telefonemas, eu ficava preocupado com a carreira dele.
- Ele era um chato que não desgrudava. Certo dia ele ligou para o Lu em plena sexta-feira às oito da noite, estávamos na casa da Chay começando a nossa noite, peguei o telefone da mão dele e disse...
- Ela foi grossa, disse palavrões. Não liguei nunca mais, deu para escutar as risadas do Lucas bem no fundo.
- Claro que foi ele, pensa bem o que um homem em sua crise de idade pode fazer?
- Você tem ideia de quantas pessoas o Sr.Lucas Bosner namorou nos últimos quatro meses?
- Bom, ele não era uma pessoa muito presa não é? Pelo que eu fiquei sabendo foram sete pessoas diferentes, ele era muito jovem...Acho que todos são assim hoje em dia...
- Um amante da vida, queria experimentar todas as sensações que permitiam, eu não sei o número, mas o Lu era um doce de pessoa, era impossível não se apaixonar pelo seu jeito, sorriso, cabelo e sua arte incrível.
- Onde você estava no dia do assassinato?
- Com a minha ex-mulher, tivemos um jantar com nossos filhos, havia uma semana que eu não via o Lucas.
- Fui eu que matei o Lucas.